É incrível como a perspectiva de morar sozinho muda a cabeça das pessoas.
Da minha, pelo menos.
Nunca prestei tanta atenção aos comerciais de produtos de limpeza, mudei os tipos de seções de supermercado que frequento e até os tipos de roupas que procuro (básicas, frescas, propícias para limpar a casa e afins). Seria isso o que eles chamam de responsabilidade?
Eu vejo essa cidade como uma fase que se acaba. Assim como eu estou deixando a cidade, uma parte da minha vida está sendo deixada pra trás. Escola, amigos, família, confortos e mimos. Ao mesmo tempo que eu vejo isso como o maior desafio da minha vida, eu não estou com medo: estive me preparando para isso, é uma escolha premeditada. Universidade, morar sozinha, trabalhar. Receios? Claro. Eu estou indo morar a setecentos quilômetros do lugar em que morei por 17 anos. Só vou poder contar com a sorte e com o meu namorado. Claro que para mim isso já é tudo, mas há sempre aquele frio na barriga. Mas vamos lá, em frente, sempre.
Dia 19 e 20 serão os dias cruciais da minha vida so far. Irei prestar UnB, Letras, meu futuro em jogo. Se estou preparada? Acho que sim. Mas achar já é um começo.
Acho que amadureci. Claro que em muitos aspectos ainda não, mas o meu pensamento está começando a mudar para muitas coisas. Sei que só tenho 17 anos, mas ao contrário do que muitos pensam, eu sei exatamente para onde me dirijo e o que fazer quando chegar lá. É, chega de mordomia. Vai limpar banheiro, lavar roupa, cozinhar, e isso tudo depois de chegar quebrada da faculdade. Vai aprender às duras penas, sim, burguesinha. Boa sorte para manter as unhas feitas depois disso.
Mas é o sacrifício que tem que ser feito. Eu penso no futuro, e se para que ele se cumpra eu precise quebrar a unha e ficar com uma raiz de dois metros no cabelo, que seja. É por um bem maior.
Sempre chega a hora da solidão
Sempre chega a hora de arrumar o armário
Sempre chega a hora do poeta plêiade
Sempre chega a hora que o camelo tem sede
O tempo passa, engraxa a gastura do sapato
Na pressa, a gente não nota que a Lua muda de formato
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida a ser um longa metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco, esvaziando os frascos
E já não vai ao cinema
A idade aponta na falha dos cabelos
Outro mês aponta na folha do calendário
As senhoras vão trocando o vestuário
As meninas viram a página do diário
O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício
Tudo cresce
E o início deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar que nada tem fim.
O Avesso dos Ponteiros – Ana Carolina
Trilha sonora dos meus últimos dias em Rio Preto:
O Avesso dos Ponteiros – Ana Carolina
Katy Perry: TODAS.
Drop Out – Infected Mushroom
Ascolta Il Tuo Cuore – Laura Pausini
Angra Dos Reis – Legião Urbana
Fugi Desse País – Ludov
Sing For Absolution – Muse
Let Love Lead The Way – Spice Girls
Everything Will Be Alright – The Killers
Força Verde – Zé Ramalho
Por que o fato de você jogar RPG automaticamente te qualifica como lifeless e sem namorado(a), fazendo assim com que nerds venham puxar papo com você em chats de jogos já com esse conceito fincado em suas mentes?




