Your best friend.

Estou editando esse post porque resolvi finalmente começar o projeto de 30-days-letter e, coincidentemente, esse é o primeiro item.

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É uma hora da manhã, e eu estou pensando numa coisa tão estúpida, tão antiga, mas que eu nunca consegui realmente consertar.
Eu nunca te dei o primeiro pedaço de bolo. E eu nunca vou me esquecer disso.
Nós tínhamos quatorze anos, e éramos idiotas. Eu estava brava, e nem lembro ao certo por quê. Eu tinha rancor e mágoa, mesmo sabendo o tanto que você me amava (e ama). Adolescentes. Completamente insensíveis, apesar de sempre estarem à flor da pele. E eu fui lá, dei o primeiro pedaço de bolo pra outra pessoa. Mas não, isso não era o suficiente. Eu precisava te provar. Mostrar que eu era tão má. Haha. E eu joguei na sua cara. Eu joguei na sua fofa cara que o primeiro pedaço não era seu.
Era mentira.
Ele sempre foi seu. Desde antes, quando nós não brigávamos tanto e nossa diversão era dissertar sobre fanfics e Gundam Wing. Porque você sempre foi a única pessoa que sempre me ouviu, mesmo quando me ouvir significava revirar os olhos a cada trinta segundos ou me dar uns tabefes verbais porque eu estava sendo idiota. Porque você sempre manteve meus pés no chão, mesmo que isso cortasse totalmente o meu barato. Porque você é a única que me diz o que eu preciso ouvir, não o que eu quero que você diga.
E quando, alguns dias depois, você me entregou o presente de aniversário atrasado, que você preparou enquanto eu dormia ao seu lado, eu nunca pensei que poderia me arrepender tanto de uma imaturidade.
No ano seguinte você foi embora. E eu tive que esperar dois anos até que pudesse ter a oportunidade de fazer esse gesto que eu não sei que origem tem, mas se tornou particularmente importante para mim depois daquele fatídico dia. Aí eu fui lá e dei o primeiro pedaço pro meu namorado (é lógico que você é importante pra mim, amor, é que esse não é o ponto aqui. Era uma dívida). Eu sou completamente idiota, não? Eu não sei se você se lembrou do fato na festa, mas eu não sabia o que fazer. Eu queria entregar o primeiro pedaço para os dois, mas não sabia por onde começar.
Aí você veio e disse que entregaria o pedaço pro Alex pra eu não ter que aguentar a livre e espontânea pressão dos demais convidados. E você foi tão linda fazendo isso, e meu coração pesou, e eu aceitei. Maldita covardia.
Depois de amanhã eu faço dezoito anos, e mais uma vez não vou poder te dar o primeiro pedaço. Mas eu quero que você saiba que ele é sempre seu, sua estúpida. Mesmo que você não possa ir pra Rio Preto me ver. E você é a pessoa que mais me faz falta, com sua presença irritante e sua mania perversa de destruir minhas ideias.
Uns meses atrás eu fui nas Lojas Americanas e passei pela seção de esmaltes. Eu chorei litros (por dentro, por fora foi um lacrimejar mal contido). Lembrei de tantas idas e vindas ao centro, falando mal dos outros e vendo a nova coleção de cores de esmaltes, que na verdade são as antigas com nomes diferentes, mas foda-se. A gente comprava do mesmo jeito.
Hoje sou eu que quero cortar seu barato e manter seus pés no chão, enquanto reviro meus olhos a cada trinta segundos e te dou tabefes verbais porque você está sendo idiota. Hoje sou eu que te digo o que você precisa ouvir.
You’re such an idiot, and I love you so much, you little whore.

We’ll do it all
Everything on our own
We don’t need
Anything or anyone

I don’t quite know
How to say how I feel
Those three words
Are said too much
They’re not enough

Let’s waste time
Chasing cars
Around our heads
I need your grace
To remind me
To find my own

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me
And just forget the world?

Forget what we’re told
Before we get too old
Show me a garden that’s bursting into life

All that I am
All that I ever was
Is here in your perfect eyes
There all I can see

I don’t know where
Confused about how as well
Just know that these things
Will never change for us at all

Chasing Cars – Snow Patrol

Publicado em: às 23 23UTC agosto 23UTC 2010 em 5:12 PM  Comentários (1)  
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  1. Eu te amo infinitamente, Isabela. Só.


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